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Comunicações, mesa 2, 27 de outubro

por Marília Sales

A mesa estava composta por Daniela Maura Ribeiro (Mestre em Artes, na linha de pesquisa História da Arte pela ECA/USP), por  Santiago Rueda Fajardo (Doutor em História, Teoria e Crítica das Artes pela Universidade de Barcelona), Rubiane Vanessa Maia da Silva (Mestranda em Psicologia Institucional na UFES) e a mediação foi feita por Angela Santos (Paço das Artes). Na apresentação das pesquisas foi discutida a influência do contexto social contemporâneo na produção artística em diferentes meios e contextos.

A mesa inicia com a apresentação da pesquisa de Daniela Maura Ribeiro intitulada A ficção na imagem contemporânea (o retrato e o auto-retrato) que parte de idéias sobre o auto-retrato como gênero para pensar a questão da ficção na imagem contemporânea. A partir do auto-retrato pintado por Jacques-Louis David, em 1794,  traz idéias sobre a produção de artistas contemporâneos como: Albano Afonso (2001), Helga S tein (2005) e do retrato realizado pelo artista norte-americano Keith Cottingham (1993) em analogia ao realizado por German Lorca (1958), fotógrafo.

Suas questões partem do ensaio Grotesco David com a bochecha inchada: um ensaio sobre o auto-retrato do teórico T.J. C lark sobre a prática do auto-retrato na pintura ocidental, como gênero de características específicas e  o aumento do interesse no  século XVIII pela subjetividade e a  valorização  da identidade.

Ribeiro acredita que nos séculos XX e XXI há uma perda de identidade na produção dos auto-retratos. À luz dessas idéias apresenta os trabalhos de auto-retrato dos artistas contemporâneos citados através do uso da fotografia e suas possibilidades de manipulação  para realizar os auto-retratos. Ela acredita que a fotografia, mais que  uma categoria  com características próprias, dialoga com outras possibilidades artísticas, e agrega novas significações – transforma a noção de real e a realidade e  a ficção ganham novas idéias.

Em seguida, Santiago Rueda Fajardo apresenta Los Mártires, os problemas das drogas  na sociedade colombiana têm crescido nas últimas três décadas – humanos, ambientais, econômicos, políticos, militares e sociais. Ele acredita que o tema tenha aparecido pela  primeira vez  na fotografia  “Entierro de un colega” publicada por la Revista Ilustrada em 1900,  e posteriormente em fotografias de  Ernst Rothlisberger, Erwin Schottlaender  e nas artes gráficas de Luis B. Ramos por conseqüência da força política no país.

Para  Fajardo, apesar do aumento do consumo e da degradação humana pelas drogas, o interesse na imagem de denúncia e testemunho da tragédia tem diminuído. Embora cite alguns artistas que trabalham com essa problemática, ele acredita que a miséria e a doença da droga tem sido pouco discutido nas artes, em comparação aos problemas da corrupção política. E finaliza com a questão: Que  coletividade, que desejos e que força representa o indigente? – usuários de drogas e moradores de ruas.

Rubiane Vanessa Maia da Silva apresenta sua pesquisa Encontros Partilhados que traz considerações sobre a contaminação entre Arte e Vida, um modo de pensar e produzir favorável à linhas de resistência de um mundo-crise. Para ilustrar sua fala, ela analisa o Studio Butterfly, de Virgínia de Medeiros apresentado em 2006 na 27° Bienal de São Paulo. A escolha partiu pela forma de criação em processo que lida com um universo temporal-espacial , e principalmente afetivo. Acredita que na arte essas misturas são mais intensas, arte e vida se diluem e torna um fluxo contínuo – artista, o público e o trabalho.

Silva apresenta o panorama da vida contemporânea e a tendência comum de aproximação aos trabalhos que tem como estratégias a alteridade e a referência à paisagens psicossociais da contemporaneidade. Para ela, novos tempos são construídos e oferecidos como dispositivos de relações. Acredita que o trabalho de Vírginia de Medeiros articula uma diálogo ético-político-estético que convoca novas corporeidades, uma forma de repensar uma política da vida que se afirme na potência da existir.
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