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Comunicações, mesa 1, 26 de outubro

por Marília Sales

A mesa estava composta por Julia Buenaventura V. de Cayses (Mestre em História da Arte e da Arquitetura na Universidade Nacional da Colômbia), por Agnus Valente (artista multimídia, Doutor e Mestre em Artes pela Escola de Comunicações e Artes ECA/USP) e a mediação foi feita por Rejane Cintrão (Paço das Artes). Na apresentação das pesquisas foi discutida a relação simbólica de valores da arte no mercado: consumo e fruição.

Julia Buenaventura apresenta sua $194.500 que trata do panorama do mercado da arte latino-americana no contexto da última crise econômica mundial com destaque ao relacionamento de uma produção artística ligada à ações políticas de busca da autonomia de seu território. Cita os leilões de Christie´s e Sohteby´s acontecidos no segundo semestre de 2008, e especificamente a venda da obra Coração Faquir (1999) de Cildo Meireles, cuja estimativa estava entre $100.000 e $150.000 e saltou para $194.500 – situação que intitula sua pesquisa.

Segundo Buenaventura, a última crise econômica mundial não afetou de forma dramática o mercado da arte latino- americana na medida em que leilões como Christie´s e Sohteby´s conseguiram preços acima das expectativas. Cita Alberto Barral (ArtNexus,No. 72, Volumen 8, Año 2009. p. 96.), que diz que essas vendas confirmam a estabilidade de um mercado que mantém seu caráter tradicional, pois, os compradores ainda são colecionadores e não fundos internacionais.

Buenaventura apresenta a recente história do mercado da arte latino-americana. E exemplifica a situação de mercado de Cildo Meireles, um dos artistas contemporâneos mais cotizados em Nova Iorque, que desde bem cedo propôs obras destinadas a questionar o dinheiro e, com o dinheiro novamente ao poder – Eppur si Mouve, trabalho que consiste num tipo de ação alquímica ao inverso, pois não se trata de converter o ferro em ouro, mas converter o ouro em nada e que paradoxalmente ganha o valor de mercado da arte, voltando a ser ‘ouro’.

Agnus Valente apresenta seu projeto VENDOGRATUITAMENTE.COM, composto por obras do próprio autor e de um grupo de artistas convidados por suas atuações em intervenções urbanas e afinidades ideológicas: Antoní Muntadas, Carmela Gross, Julio Plaza, Nardo Germano e Regina Silveira. Valente apresenta seu percurso reflexivo, as articulações e agenciamentos que propiciaram a efetivação dessa intervenção artística.

O projeto de Valente trata-se de uma intervenção e-urbana em espaço público que elege a Internet, esta como um “campo expandido” de ação. O título é um jogo de palavras “ver” e “vender” numa ação de invasão aos mecanismos de busca no contexto do e-commerce. É um projeto de “site-specific” on-line que usa o mecanismo do e-commerce. A proposta é proporcionar uma pausa na voracidade do sistema capitalista .

Valente analisa que este projeto interessa a associação com a urbanística. Os termos “endereço”, “portal”, “site”, “home” sugere um possível “mapeamento” da rede e conduz a uma percepção da Internet como “espaço”. Desse modo, relaciona a Arte Pública a este espaço “disponível” e inscreve o projeto de intervenção numa dimensão ética, estética e política. Focalizando a Internet como “campo expandido” – cita aqui Rosalind Krauss – da urbe, com estratégias de ação da Arte Pública, Valente considera a “cobertura”, a “disponibilidade”, a “interação”, o “acesso” e a “freqüência” de usuários em trânsito na web.

Explica que cada uma das obras foi inserida no mecanismo de busca, passou pelo que denominou de “Pequenas Traduções Intersemióticas” que correspondem aos ads que são impressos no resultado da busca. Agnus relata que a intervenção e-urbana, que está em curso desde dezembro de 2006 – Brasil, já ultrapassou 500.000 impressões de seu ad artístico, até o momento desta publicação.

Debate

Ao abrir o debate, Rejane Cintrão expõe sua curiosidade em relação à continuação dos contatos entre tantos visitantes e o VENDOGRATUITAMENTE.COM. Ela pergunta se houve algum retorno na comunicação. Agnus Valente explica que optou pelo distanciamento. Alguns retornos ele desconfia que são de artistas, pela linguagem e pela informação nos e-mails. Ele diz que o interesse é a vivencia, a fruição como fato acidental da vida – se o visitante não tivesse clicado não teria visto – é para ser um momento de pensar arte viva dinâmica e o estimulo de sair do pensamento seco, e ir para o dinâmico.

Julia Buenaventura V. de Cayses reflete que as obras dão volta ao sistema. “Precisamos aproveitar os encontros, escrever a história através dos encontros em leilões e em departamentos de arte… A Tarsila do Amaral, por exemplo, ainda nos tem muito a falar. Um mercado pode ser nosso, o encontro do mercado e a infiltração, da arte não-mercadoria, dribla o capitalismo.”

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